Escrito por:
Arthur W
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O gênero slasher, popularizado nos anos 80, muitas vezes carrega uma reputação de baixa qualidade, mas também presenteou o cinema com clássicos inegáveis como ‘Psicose’, ‘O Massacre da Serra Elétrica’ e ‘Halloween’. No entanto, um filme em particular, lançado pela Netflix e elogiado por críticos, parece ter caído no esquecimento, apesar de seu potencial e da assinatura de um renomado diretor de terror.
Em 2016, Mike Flanagan entregou ‘Hush – A Morte Ouve’, um thriller que subverte as expectativas do gênero. O filme acompanha Maddie Young (interpretada por Kaye Siegel), uma romancista de terror surda e muda que se isola em uma cabana para escrever. Quando um assassino mascarado invade sua casa, a narrativa se transforma em uma batalha de inteligência e sobrevivência onde a protagonista, ao invés de ser vítima, demonstra uma notável resiliência e astúcia. A atuação de Siegel, que também co-escreveu o roteiro, é um dos pontos altos, assim como a trilha sonora que habilmente simula a experiência da surdez para o espectador.
Apesar de ter recebido elogios de nomes como Stephen King e William Friedkin, ‘Hush’ não gerou sequências, remakes ou uma franquia duradoura como outros slashers de sucesso. Vários fatores podem explicar essa ausência. Em primeiro lugar, a cultura cinematográfica atual valoriza sequências e universos compartilhados, e um filme que se sustenta sozinho corre o risco de ser rapidamente esquecido. Além disso, ‘Hush’ estreou no mesmo ano que ‘O Homem nas Trevas’, um thriller similar que, apesar de ser considerado inferior e menos sensível à questão da deficiência, obteve maior visibilidade e até mesmo uma sequência. A ascensão de Flanagan na televisão com séries aclamadas como ‘A Maldição da Residência Hill’ e a adaptação de obras de grandes autores de terror também podem ter ofuscado seus trabalhos anteriores menos conhecidos.
Apesar de sua popularidade em plataformas de streaming como a Netflix, ‘Hush’ permanece uma joia subestimada. É um exemplo de como o cinema de terror pode ser inteligente, bem atuado e apresentar personagens com deficiência com dignidade e força. A esperança é que, com o tempo, o reconhecimento de Mike Flanagan como um dos grandes nomes do terror moderno traga à tona obras como ‘Hush’, garantindo seu lugar entre os melhores filmes do gênero e do subgênero slasher.
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