Hoje eu faço 35 anos.
Olá, meus leitores.
Eu sei que tenho cerca de cinquenta leitores mensais, mas acredito que quarenta deles sejam bots.
Então, devem restar uns dez.
Hoje este texto é apenas um desabafo. Afinal, ninguém liga mesmo, ou talvez eu simplesmente tenha poucos conhecidos.
Por outro lado, esse é justamente o lado bom. Posso escrever o que quiser, de forma aberta e pública, com a tranquilidade de saber que, muito provavelmente, ninguém irá ler.
E é aí que mora uma estranha adrenalina. Uma sensação difícil de explicar.
Mas o tema de hoje é outro.
Hoje eu completo 35 anos.
Trinta e cinco anos.
Não estou triste, mas também não estou feliz. A idade chega para todos.
O que realmente me incomoda é olhar para mim mesmo.
Considero-me uma pessoa extremamente comum. Mediana. Talvez até abaixo da média, dependendo do critério.
E por quê?
Só consegui me formar depois dos trinta anos. E, para ser sincero, em uma faculdade online bastante simples. Levei quatro anos para concluir um curso cuja duração prevista era de apenas dois anos e meio.
Depois disso, iniciei uma nova graduação, desta vez na área em que atuo atualmente.
Cansei completamente da profissão anterior.
E olha que me tornei muito bom em CorelDRAW, edição vetorial, Photoshop, além de dominar razoavelmente Illustrator e InDesign.
Mas não quero mais saber dessa área.
Por quê?
Porque ela praticamente não oferece retorno. O custo de entrada é baixo; com um pouco de paciência, qualquer pessoa consegue ingressar nela. Não digo isso para desmerecer ninguém. Apenas reconheço que não tive disposição para permanecer nesse mercado depois de tantos anos.
O que permaneceu foi uma vontade quase obsessiva de construir uma renda pela internet, suficiente para que eu não precisasse depender de um emprego CLT.
E no que isso resultou?
Hoje sou apenas um CLT comum.
Recomecei trabalhando em telemarketing. Depois me tornei supervisor. Quatro anos mais tarde, passei a atuar como analista de tráfego.
Foi nessa fase que descobri algo importante: gosto de trabalhar com dados.
Aprendi Excel a um nível muito bom e percebi que, embora seja uma ferramenta indispensável, ele representa apenas o primeiro degrau. Análise de dados vai muito além: SQL, Python, Java e tantas outras tecnologias.
Agora sigo esse caminho.
Estou me especializando em Python, mas sei que essa jornada ainda deve levar, no mínimo, mais dois anos.
Mas o verdadeiro ponto deste texto é outro.
É a decepção.
Estou profundamente decepcionado comigo mesmo.
O meu "eu" de quinze anos atrás imaginava que, aos trinta e cinco, eu seria uma pessoa saudável, bem-sucedida, morando sozinho e cercado por mulheres bonitas.
A realidade, porém, é diferente.
Moro com meus pais.
Estou acima do peso. Muito acima do pensa. Muito
Sou CLT.
Cumpro uma jornada de oito horas por dia, em escala 5x2, e, de vez em quando, ainda levo aquelas mijadas humilhantes que fazem parte da rotina corporativa.
Essa é a realidade.
E eu me sinto culpado.
Será que me faltou força?
Lembro-me de uma situação específica.
Certa vez, deixei de terminar uma prova que comecei de um concurso público porque preferi passar o dia andando de skate. A prova estava fácil.
Hoje trabalho exatamente na instituição para a qual aquele concurso foi realizado.
A diferença é que estou lá como empregado CLT.
Muitos dos colegas que hoje ocupam cargos efetivos passaram justamente naquele concurso que eu sequer acreditei e saí cedo porque achava que não ia passar mesmo.
É difícil não pensar nisso.
Por isso, quero sair de lá, no máximo, no início do próximo ano. Até lá, terei quitado praticamente todas as minhas dívidas de cartão de crédito.
Mesmo assim, não consegui construir nenhuma reserva financeira.
É triste.
Nem vou aprofundar no assunto dos relacionamentos.
Esse talvez seja um dos aspectos mais decepcionantes da minha vida.
Para um homem alto, branco e relativamente bem-apessoado, ter me relacionado com menos de vinte mulheres durante toda a vida parece pouco.
Faço essa comparação porque conheço homens que dizem ao menos dizem ter se relacionado com cerca de duzentas mulheres. Ainda que seja exagero, suponhamos que tenha sido apenas a metade.
Não me arrependo de ter encerrado um antigo namoro.
Aquele relacionamento me fazia mal.
Mas sinto falta de ter uma companheira.
Uma namorada.
Alguém para dividir a vida.
Trinta e cinco anos representam, aproximadamente, a metade do tempo que pretendo viver nesta encarnação, seja ela boa ou ruim.
Embora, se ela vier a se tornar excessivamente ruim... confesso que, às vezes, penso que talvez preferisse partir antes.
Enfim.
No dia 2 de agosto de 2026 comecei, finalmente, um projeto que procrastinei durante meses.
Na verdade, durante anos.
Perdi inúmeras oportunidades.
Perdi excelentes momentos para construir uma renda na internet.
Durante a pandemia, aquela talvez tenha sido a minha maior chance.
A raiva que sinto de mim mesmo por ter adiado tudo isso é difícil de colocar em palavras.
Por outro lado, desde que comecei efetivamente a trabalhar nesse projeto, senti algo que há muito tempo não experimentava.
Uma sensação de entusiasmo.
Uma leveza.
Como se, por alguns instantes, eu estivesse nas nuvens.
Então me faço uma pergunta inevitável:
Por que não comecei antes?
Acho que permaneci completamente travado.
Queria tanto iniciar esse projeto que acabei paralisando todas as outras áreas da minha vida.
Era como se existisse uma força maior me impedindo de seguir adiante.
Uma espécie de voz insistente, quase um toque obsessivo, repetindo continuamente:
"Se eu não fizer isso, não mereço aquilo."
Ou:
"Enquanto isso não acontecer, não posso seguir em frente."
Talvez tenha sido justamente essa prisão invisível que me roubou tantos anos.
É isso.
Espero que algumas coisas deem certo.
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