Escrito por:
Arthur W
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Existe uma sensação estranha quando assistimos a um filme do Studio Ghibli pela primeira vez. Em alguns momentos parece que a história simplesmente para. Ninguém explica nada, não acontece uma grande reviravolta e os personagens apenas observam o mundo ao redor. Nossa primeira reação costuma ser pensar que aquela cena poderia ser mais curta. Alguns segundos depois, percebemos que era justamente aquele silêncio que ela precisava.
Vivemos em uma época que trata qualquer intervalo como desperdício. Se um vídeo demora alguns segundos para chegar ao ponto, pulamos. Se uma conversa fica silenciosa, pegamos o celular. Se um filme desacelera, logo alguém diz que ele é "parado". Aos poucos fomos aprendendo que tudo precisa preencher nossa atenção o tempo inteiro, como se o vazio fosse um defeito que precisa ser corrigido.
Na cultura japonesa existe uma palavra para esse espaço entre uma coisa e outra: Ma. Ela não representa apenas uma pausa, mas a ideia de que o silêncio também comunica, que um intervalo pode ter tanto significado quanto a ação. Talvez por isso os filmes do Studio Ghibli pareçam tão diferentes. Eles não têm medo de deixar o espectador sozinho por alguns instantes, confiando que é justamente nesse espaço que a emoção encontra lugar para existir.
É curioso perceber que esse conceito não serve apenas para o cinema. Um desenho precisa de áreas de descanso para que os detalhes tenham impacto. Uma música depende do silêncio entre as notas. Uma conversa sincera quase sempre tem pausas que dizem mais do que as palavras. Até nossa rotina parece funcionar melhor quando deixamos algum espaço para simplesmente observar, sem a necessidade constante de produzir ou consumir alguma coisa.
Talvez seja esse o verdadeiro motivo de tantas pessoas voltarem aos filmes do Studio Ghibli anos depois de assisti-los. Não porque eles contam histórias mais rápidas ou mais espetaculares, mas porque nos lembram de algo que estamos esquecendo aos poucos: nem todo vazio precisa ser preenchido. Às vezes, é justamente nele que encontramos aquilo que realmente importa.
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